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Golpe da falsa central de atendimento: como reconhecer e o que fazer

Ligações e mensagens que se passam pelo seu banco para pedir senha, código ou instalação de app: veja como o golpe da falsa central funciona e como se proteger.

Atualizado em Leitura de 7 min

O golpe da falsa central de atendimento começa com uma ligação ou mensagem que parece vir do seu banco. A pessoa do outro lado sabe seu nome, às vezes parte do CPF, e avisa sobre uma compra suspeita, um empréstimo que "acabou de ser contratado" ou um Pix que precisa ser cancelado. O objetivo é fazer você agir rápido, sem pensar, e entregar senha, código de verificação ou o controle do celular. Este guia mostra como reconhecer a abordagem e o que fazer em cada situação.

Como funciona o golpe da falsa central

O primeiro contato

Pode ser uma ligação, um SMS com número para retorno, uma mensagem de WhatsApp com foto e nome do banco ou até um e-mail. Em alguns casos, o identificador de chamadas mostra um número parecido com o da central oficial.

O tom é de urgência:

  • "Identificamos uma compra de R$ 2.800 no seu cartão. O senhor reconhece?"
  • "Um empréstimo foi contratado em seu nome agora há pouco."
  • "Sua conta será bloqueada se não confirmar seus dados."

O pedido

Depois de gerar medo, o falso atendente oferece a "solução", que sempre envolve uma destas ações:

  • informar senha do app ou do cartão;
  • repassar um código recebido por SMS ou e-mail;
  • instalar um aplicativo de acesso remoto para "fazer a limpeza" ou "proteger" o celular;
  • transferir o saldo para uma "conta segura";
  • fazer um Pix para "cancelar" uma transação ou um empréstimo;
  • entregar o cartão a um "motoboy do banco".

Qualquer uma dessas ações entrega ao golpista o acesso ao seu dinheiro.

O que o seu banco não faz

Guarde esta lista. Bancos e instituições financeiras sérias não:

  • ligam pedindo senha, token ou código recebido por SMS;
  • pedem para você instalar aplicativo de acesso remoto;
  • pedem transferência para "conta segura" ou "conta de teste";
  • pedem Pix para cancelar uma compra ou um empréstimo;
  • mandam alguém buscar cartão na sua casa;
  • pedem que você fique na linha enquanto faz operações no app.

Se o contato pede qualquer coisa dessa lista, trate como golpe, mesmo que a pessoa saiba seus dados pessoais. Informações como nome, CPF e endereço podem ter vazado de outras fontes e não provam que quem fala é do banco.

O perigo dos apps de acesso remoto

Uma variação comum pede que você baixe um app "de segurança" ou "de suporte". Na prática, é um aplicativo que permite ver e controlar a tela do celular a distância. Com ele instalado, o golpista consegue acompanhar o que você digita, abrir o app do banco e fazer transferências, às vezes enquanto você ainda está na ligação.

Regras práticas:

  • não instale nada a pedido de quem ligou ou mandou mensagem;
  • desconfie de pedidos para ativar permissões de acessibilidade ou de sobreposição de tela;
  • se instalou algo assim, desligue a internet do aparelho e siga os passos do fim deste guia.

O guia segurança no app do banco traz configurações que reduzem o estrago caso alguém tente usar o seu celular.

Golpe da falsa central e empréstimo

A falsa central também aparece ligada a crédito. Dois roteiros são frequentes:

  1. "Contrataram um empréstimo em seu nome." O golpista diz que alguém fez um empréstimo indevido e que você precisa devolver o valor por Pix para "cancelar". Às vezes, o dinheiro de fato caiu na sua conta, porque o próprio golpista contratou o crédito usando seus dados. Ao "devolver", você manda o dinheiro para ele e fica com a dívida.
  2. "Seu empréstimo foi aprovado, falta confirmar." O contato pede código de verificação ou selfie para "concluir" uma contratação que você não pediu.

Se aparecer um empréstimo que você não reconhece, não devolva o valor para ninguém por conta própria. Fale com o banco pelo canal oficial e peça o cancelamento formal. O banco orienta como o valor deve ser estornado. Vale também consultar o Registrato do Banco Central para ver se há outras operações no seu CPF.

Como confirmar se o contato é mesmo do banco

Desligue e ligue você

Encerre a ligação. Depois ligue para o número que está no verso do cartão ou no app oficial. Se possível, use outro telefone ou aguarde alguns minutos antes de ligar, para garantir que a chamada anterior foi encerrada.

Use o app oficial

Abra o aplicativo do banco que você já tem instalado e confira se existe alguma compra, transação ou aviso. Se não houver nada lá, a mensagem provavelmente era falsa.

Não clique em links de SMS ou e-mail

Links em mensagens podem levar a páginas falsas que copiam a tela de login do banco. Digite o endereço do site no navegador ou use o app.

Confira o canal de WhatsApp

Alguns bancos têm contas oficiais verificadas no WhatsApp, mas isso não impede golpistas de usar foto e nome parecidos. Confirme o número oficial no site ou no app da instituição.

Exemplo de abordagem típica

Exemplo ilustrativo: você recebe uma ligação às 20h. O atendente diz que uma compra de R$ 1.950 está "pendente de aprovação" no seu cartão e pede que você confirme um código enviado por SMS "para bloquear a compra". O SMS chega com um código de seis dígitos.

Esse código, na verdade, é o que libera o acesso à sua conta em outro aparelho ou autoriza uma operação. A atitude correta é não informar nada, desligar e conferir as transações no app oficial ou ligando para o número do cartão.

Caí no golpe da falsa central: o que fazer

Aja rápido e nesta ordem:

  1. Desconecte o celular da internet se você instalou algum app a pedido do golpista.
  2. Ligue para o banco pelo número oficial, a partir de outro aparelho se possível. Peça o bloqueio de cartões, de acesso ao app e de transações.
  3. Peça a abertura do MED se houve transferência por Pix. O Mecanismo Especial de Devolução permite que o banco tente recuperar valores ainda disponíveis na conta de destino. Há prazo para pedir, e a devolução depende de saldo, então quanto antes, melhor.
  4. Troque senhas do banco, do e-mail e de outros serviços, usando um aparelho seguro.
  5. Desinstale o app de acesso remoto e, se tiver dúvidas sobre o aparelho, procure assistência ou restaure as configurações de fábrica após salvar o que for importante.
  6. Registre boletim de ocorrência, com prints, números de telefone e comprovantes.
  7. Acompanhe seu CPF no Registrato e em birôs como Serasa, SPC e Boa Vista para identificar contratações indevidas.

Se você recebeu uma ligação desse tipo depois de pedir empréstimo em algum site, vale reler o guia sobre o golpe do empréstimo falso e conferir se a empresa com que falou é autorizada.

Resumo rápido

  • O golpe da falsa central usa urgência e dados pessoais para ganhar sua confiança.
  • Banco não pede senha, código, app de acesso remoto ou Pix para cancelar nada.
  • Desligue e ligue você para o número do verso do cartão ou use o app oficial.
  • Se caiu, bloqueie tudo com o banco, peça o MED do Pix e registre boletim de ocorrência.

Perguntas frequentes

Respostas diretas sobre crédito, taxas e segurança.

O golpista sabia meu nome e CPF. Isso prova que era do banco?

Não. Dados pessoais podem ter vazado de outras fontes. O que vale é o comportamento: banco não pede senha, código por SMS, instalação de app nem Pix para cancelar transações. Na dúvida, desligue e ligue para o número oficial.

O que fazer se eu já passei o código recebido por SMS?

Ligue imediatamente para o banco pelo número oficial, peça o bloqueio do acesso e das transações e troque suas senhas. Se houve Pix, peça a abertura do MED e registre boletim de ocorrência.

Caiu um empréstimo na minha conta que eu não pedi. Devolvo por Pix?

Não devolva por conta própria para ninguém que entrou em contato com você. Fale com o banco pelo canal oficial, peça o cancelamento formal e siga a orientação da instituição sobre o estorno.

Como saber se um app pedido na ligação é de acesso remoto?

Na prática, não instale nenhum app a pedido de quem ligou. Apps que pedem permissão de acessibilidade ou de sobreposição de tela podem controlar o celular. O banco não precisa que você instale nada para resolver problemas.